O Vaticano desenvolveu um novo tipo de letra para o ecossistema informático da Microsoft. A nova tipografia é inspirado no traço da escrita de Miguel Ângelo Buonarroti, o génio que pintou a Capela Sistina e esculpiu obras universais como o “David”.
A Fábrica de São Pedro, instituição que há mais de cinco séculos zela pela conservação da Basílica Vaticana, encomendou a uma empresa o desenvolvimento de uma novo tipo de letra para os sistemas operativos da Microsoft.
O resultado foi a “Michelangelus”, um novo estilo de letra e números inspirados na caligrafia do “Divino” artista e mestre do Renascimento italiano. A fonte contará com 500 caracteres e quatro estilos — normal, negrito, itálico e negrito itálico — e poderá ser descarregada gratuitamente para unir “património histórico, design e tecnologia”, conforme anunciado esta quinta-feira pela Fábrica de São Pedro em comunicado.
A escolha do artista não foi casual. Nenhum outro pintor e escultor está tão ligado ao templo vaticano como Miguel Ângelo. O artista desenhou a cúpula da Basílica de São Pedro, esculpiu a famosa “Pietà” — que ainda se encontra no local — e pintou a abóbada e o “Juízo Final” da Capela Sistina.
O projeto de transpor a sua escrita para o ecrã do computador passou por um “minucioso processo de pesquisa, design e verificação”, levando os criadores do novo tipo de letra a estudar os documentos originais do génio, hoje guardados no Arquivo Apostólico e na Casa Buonarroti, em Florença, no norte de Itália: “As cartas, anotações e assinaturas revelaram o estilo de escrita de Miguel Ângelo, que exerceu uma forte influência nas formas minúsculas da tipografia. Já as letras maiúsculas evocam a dimensão monumental da sua obra, da Pietà à cúpula da Basílica de São Pedro, criando um diálogo entre a voz pessoal do artista e a sua presença pública e magistral”, refere o comunicado. A fonte “Michelangelus” não consiste apenas em reproduzir fielmente o seu traço, mas também procura interpretar a linguagem e a personalidade por detrás de cada grafia que deixou, há séculos, no papel ou na pedra, salienta o Vaticano.

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