O filme “Digger”, protagonizado pelo actor norte-americano Tom Cruise e realizado pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, foi retirado à última hora dos cinemas em Macau e Hong Kong, depois de ter estreado a nível mundial a 1 de Outubro. A informação foi avançada pelo portal Hong Kong Free Press e confirmada pela Agência Lusa.
A película, uma sátira negra sobre a crise climática distribuída pela Warner Bros, incluía cenas consideradas sensíveis, nomeadamente uma cena de um ataque nuclear contra território chinês e uma fala em que a população chinesa é descrita como “amarela” e um “cancro”.
Em Macau, a exibição do filme estava prevista para o complexo de cinemas do Galaxy Macau, mas todas as referências à película foram eliminadas do portal do empreendimento na Internet. Questionadas pela agência Lusa, a Galaxy Entertainment e o Instituto Cultural (IC) — entidade responsável pela aprovação e classificação de filmes no território — não prestaram quaisquer esclarecimentos.
Em Hong Kong, a obra foi igualmente retirada das salas de cinema à última hora devido a “diálogo sensível”, noticiou a imprensa local. O Gabinte de Administração de Filmes, Jornais e Artigos de Hong Kong recusou comentar casos individuais, limitando-se a indicar que os pedidos de censura são processados ao abrigo da lei. Ao contrário de Macau e Hong Kong, a China continental não previa a distribuição da fita, uma vez que o mercado continental impõe um limite anual de apenas 34 filmes estrangeiros.
“Digger” retrata a história de Digger Rockwell, um magnata do petróleo de 64 anos cuja negligência desencadeia uma catástrofe ecológica a nível global. A nível comercial, a comédia registou um fim de semana de estreia fraco, arrecadando apenas oito milhões de dólares nos Estados Unidos e doze milhões de dólares nos 74 mercados internacionais onde foi lançada, valores muito abaixo do orçamento de produção estimado entre 125 e 180 milhões de dólares. A recepção desfavorável antecedeu a conclusão do negócio de aquisição da Warner Bros pelo estúdio Paramount Skydance, num negócio avaliado em 110 mil milhões de dólares.

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