O Governo assegurou esta quarta-feira o fornecimento de 20 milhões de máscaras até sexta-feira para prevenir a propagação do novo coronavírus, que causou nove mortos e mais de 400 infectados na República Popular da China. Os titulares do Bilhete de Identidade de Residente terão prioridade na aquisição, explicou o Director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion.
“Vinte milhões de máscaras vão chegar a Macau antes do Ano Novo chinês [Ano Novo Lunar que começa na sexta-feira]” e vai-se procurar “evitar o açambarcamento”, limitando a compra a 10 máscaras a cada dez dias, explicou o diretor dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, em conferência de imprensa, depois de ser confrontado com o cenário de falta de stock nos estabelecimentos. Esta quarta-feira, as autoridades anunciaram existir uma pessoa infectada com o vírus que se propagou a partir da cidade continental de Wuhan.
O equipamento vai ser adquirido pelos Serviços de Saúde e a venda vai ser efectuada em cerca de meia centena de farmácias comunitárias, acrescentou o responsável. Lei Chin Ion desaconselhou o uso prolongado de máscaras, referindo que se justifica sobretudo quando a população se deslocar a unidades de saúde ou se sentir febril, exemplificou.
O chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doença, Lam Chong, adiantou que os residentes de Macau terão prioridade na aquisição das máscaras, mas sublinhou estar convencido de que haverá stock suficiente para assegurar a procura por parte de não residentes, já que a aquisição poderá ser feita em outros estabelecimentos, mesmo que não exista convenção acordada com a Direcção dos Serviços de Saúde, frisou.
As autoridades adiantaram ainda que foi solicitado ao pessoal de saúde que se encontre no território neste período festivo chinês, que se prolonga até 11 de Fevereiro, para que fique de prevenção para prestar o apoio que se justifique necessário.
O comandante do Corpo da Polícia de Segurança Pública, Chiu Seng Un esclareceu que está a ser efectuado o controlo de fluxo turístico em pontos de maior concentração de visitantes, de forma a diminuir o risco de transmissão do coronavírus.
O número de casos aumentou rapidamente desde que a nova pneumonia foi detectada no mês passado em Wuhan, um importante centro de transporte doméstico e internacional. No total, há 440 casos confirmados só na República Popular da China, anunciou esta quarta-feira o vice-director da Comissão Nacional de Saúde, Li Bin.
Fora da República Popular da China, foram confirmados casos do novo coronavírus na Coreia do Sul, nos Estados Unidos da América, no Japão, na Tailândia, em Taiwan e esta quarta-feira tanto em Hong Kong, como em Macau.
Os casos alimentam receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.
A Comissão Nacional de Saúde da China alertou que o novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infecções respiratórias em seres humanos e animais, “pode sofrer mutações e espalhar-se mais facilmente”.
O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas. De acordo com o Ministério dos Transportes chinês, o país deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.
Ao final da manhã, em Macau, as autoridades já tinham dado conta de uma série de medidas de reforço de prevenção e controlo para combater a transmissão deste novo coronavírus, junto dos casinos, nas fronteiras, nos espaços e serviços públicos, bem como durante a realização de grandes eventos, num momento em que Macau atrai milhares de pessoas durante o Ano Novo Lunar.
O caso detectado em Macau diz respeito a uma mulher de 52 anos, comerciante, oriunda da cidade chinesa de Wuhan, que foi submetida a dois testes que confirmaram a doença. A paciente está actualmente em regime de isolamento e é considerada uma paciente de alto risco. A mulher infectada está a receber tratamento no Centro Hospitalar Conde de São Januário.
As autoridades sublinharam que não existe um surto na comunidade, mas frisaram que as visitas diárias nos hospitais vão ser reduzidas de dois períodos para apenas um.
Os espaços públicos estão a ser alvo de operações de desinfecção, casos das paragens de autocarro e de táxis, e mercados municipais.
Durante as festividades do Ano Novo Lunar, período em que Macau regista um maior fluxo de visitantes, as autoridades vão reforçar testes de medição de temperatura, uma medida promovida também nos serviços públicos, tendo sido determinado o uso de máscaras para trabalhadores em atendimento ao público, uma medida também alargada aos trabalhadores dos casinos.
Após o período das férias do Ano Novo Lunar vão ser tomadas medidas de reforço de prevenção e controlo nas escolas de Macau.

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