Trânsito na Travessia do Delta “aquém das expectativas” no primeiro mês

A Ponte Hong-Zhuhai-Macau serviu 1,79 milhões de passageiros no primeiro mês em funcionamento, depois de ter sido inaugurada a 22 de Outubro. Os responsáveis pela estrutura dizem que o montante ficou aquém das expectativas e abre a porta ao aumento progressivo do número de quotas. A longo prazo, todos os carros de Macau e Hong Kong deverão receber autorização para circular na Travessia.

A autoridade que gere a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau admitiu esta sexta-feira que, no primeiro mês desde a abertura, o trânsito ficou “aquém das expectativas” e que existe “grande espaço” para aumentar o fluxo de veículos, prevendo maior acesso.

“O volume de trânsito foi baixo”, afirmou Yu Lie, vice-director do organismo que gere a infra-estrutura, num encontro com jornalistas na sede, no vizinho município continental de Zhuhai.

De acordo com dados do ministério chinês dos Transportes, no primeiro mês desde a abertura, a 22 de Outubro, a ponte serviu 1,79 milhões de passageiros, enquanto apenas 2,42 por cento das deslocações foram para transporte de mercadorias. Os autocarros compõem mais de 75 por cento dos veículos de passageiros que utilizaram aquela infra-estrutura, detalhou a mesma fonte. Apontando que o fluxo de veículos ficou “muito abaixo” do previsto, e que a utilização da ponte foi feita “sobretudo” por pessoas que queriam experienciar a travessia, Yu admitiu o alargamento das quotas para circular na ponte: “Após um período inicial, terá de ser feita uma avaliação, e há a possibilidade de aumentar o número de quotas”, explicou Yu Lie, apontando a possibilidade de, a “longo prazo”, todos os carros de Macau e Hong Kong usarem a ponte.

Actualmente, Macau tem direito a 600 quotas para veículos locais circularem entre a cidade e Hong Kong através da nova ponte.

O responsável previu “cada vez menos controlo”, à medida que o projecto de integração regional da Grande Baía, que visa criar uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove localidades da província de Guangdong, se torne uma realidade.

“Devido à actual política ‘Um país, Dois sistemas’, e diferentes regras de trânsito, este é um processo preliminar. É preciso esperar que o projecto da Grande Baía esteja implementado”, afirmou. “Haverão mais medidas no sentido de integrar os territórios. O transporte é uma componente importante nesse plano”, descreveu.

Hong Kong e Macau foram integrados na República Popular da China em 1997 e em 1999, respectivamente, com o estatuto de regiões administrativas especiais, sob a fórmula ‘Um país, Dois sistemas’.

De acordo com esta fórmula, as políticas socialistas em vigor no resto da China não se aplicam em Hong Kong e Macau, (excepto nas áreas da Defesa e Relações Externas, que são da competência do governo central chinês) e os dois territórios gozam de “um alto grau de autonomia”.

Yu não previu, contudo, um alargamento das quotas para veículos do continente chinês: “Por questões ambientais ou de densidade populacional, é impossível permitir o acesso a todos”, disse.

A ponte custou aos governos de Macau e de Hong Kong e da província de Guangdong cerca de 1,9 mil milhões de euros.

Questionado pela agência Lusa sobre a viabilidade económica da ponte, Yu admitiu que, num período inicial, a obra não será rentável, mas que, na totalidade dos próximos 30 anos, as receitas deverão cobrir as despesas com empréstimos e respectivas taxas de juro: “As receitas iniciais são relativamente baixas, teremos escassez de fundos, mas contamos que os três governos subsidiem os custos nos primeiros cinco a dez anos”, disse. “Também por isso esperamos que as autoridades relaxem a limitação de quotas o mais brevemente possível, para aumentar as receitas com portagens. Estamos confiantes nos benefícios”, apontou.

Considerada a maior travessia marítima do mundo, a estrutura principal mede 29,6 quilómetros, com uma secção em ponte de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros, numa extensão total de 55 quilómetros.

A construção começou em 2011 e previa-se a abertura para 2016, mas vários problemas, como acidentes de trabalho, uma investigação de corrupção, obstáculos técnicos e derrapagens orçamentais obrigaram a um adiamento da inauguração.

 

 

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