Estão ao rubro, as relações entre as Nações Unidas e o Governo de Manila. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos defendeu hoje que Rodrigo Duterte deve ser visto por um psiquiatra. O presidente filipio ameaçou vários altos-quadrosa da organização e qualificou de terrorista a relatora especial sobre os direitos dos indígenas, a também filipina Victoria Tauli-Corpuz.
O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, defendeu esta sexta-feira que o presidente filipino, Rodrigo Duterte, devia ser submetido a “avaliação psiquiátrica”.
“Os comentários do presidente da Filipinas em relação à relatora especial das Nações Unidas sobre execuções extra-judiciárias, Agnes Callamard, são inaceitáveis. E faz-me pensar que o presidente Duterte precisa de uma avaliação psiquiátrica”, defendeu Zeid em conferência de imprensa.

Duterte ameaçou no ano passado “esbofetear” Callamard por ter dito que no país foram cometidas várias execuções extra-judiciárias durante a campanha governamental contra as drogas, que num ano e meio foi responsável por perto de sete mil mortes, de acordo com a contagem da organização.
O responsável máximo pela defesa dos Direitos Humanos na estrutura da ONU defendeu ainda que é “vergonhoso” que o presidente de um país fale desta maneira “de uma relatora que é altamente respeitada”.
Zeid Ra’ad al Hussein acrescentou que este comportamento é “indignante” e que precisa de uma contundente resposta do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.
Este posicionamento foi também solicitado para o caso da relatora especial sobre os direitos dos indígenas, a filipina Victoria Tauli-Corpuz, para quem as autoridades da Filipinas pediram que fosse qualificada de terrorista, segundo denunciou o Alto Comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Tauli-Corpuz “acredita que a sua inclusão e a de dois dos seus colaboradores na lista de elementos tidos como terroristas não é mais do que medida de retaliação face aos comentários que proferiu sobre os assassinatos de indígenas na ilha de Mindanao”, explicou Zeid: “É inaceitável que uma pessoa que actua em nome da comunidade internacional seja tratada desta forma. Espero que o Conselho responda como deve”, sublinhou o responsável.
Dois relatores especiais da ONU – o especialista sobre a defensa dos direitos humanos, Michel Forst, e a coordenadora dos procedimentos especiais da ONU, Catalina Devandas Aguilar – também expressaram recentemente o seu repúdio pelo tratamento dado a Tauli-Corpuz: “A acusação contra ela aparece depois desta fazer comentários públicos junto a outros relatores sobre a militarização, os ataques e assassinatos de indígenas Lumad por membros das forças armadas em Mindanao”, indicaram. “Pedimos às autoridades filipinas que retirem imediatamente estas acusações contra Tauli-Corpuz e assegurem a sua segurança física”, defendem os relatores.

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