A Índia e o Paquistão envolveram-se num novo conflito diplomático este fim de semana. Os dois países convocaram os respectivos encarregados de negócios, após um incidente na fronteira que deixou dois paquistaneses mortos. Os dois países apresentam versões contraditórias do incidente.
Num comunicado divulgado ao final do dia de sábado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano classificou as alegações em torno do incidente, ocorrido na passada sexta-feira na região de Ferozepur, no estado indiano do Punjab, como “infundadas e maliciosas”. O ministério apresentou ainda um “forte protesto” contra a contínua facilitação de alegadas infiltrações provenientes de território paquistanês.
De acordo com a versão indiana, três indivíduos infiltraram-se no seu território e, apesar dos repetidos avisos da Força de Segurança Fronteiriça (BSF) para que regressassem, continuaram a avançar em direção à vedação fronteiriça. Como resultado, os agentes “foram forçados a confrontá-los, pois representavam uma ameaça iminente à segurança”.
Nova Deli instou o governo paquistanês a investigar estas actividades, alegadamente ligadas ao tráfico de droga e ao contrabando, e a alegada “cumplicidade” das forças de patrulha fronteiriça paquistanesas, exigindo medidas decisivas para impedir movimentos não autorizados.
Esta medida diplomática é uma resposta directa à convocatória de Islamabad no sábado, na qual o representante indiano foi chamado a protestar contra o que descreveu como um uso “totalmente injustificado” de força letal.
De acordo com as autoridades paquistanesas, as tropas indianas agiram sem aviso prévio no distrito de Kasur contra três residentes desarmados de uma aldeia local, matando dois homens – Azmat Rasool e Mohsin Jatt – e ferindo um terceiro. O Paquistão negou “categoricamente” que fossem agentes infiltrados.
Este último confronto agrava as relações já tensas entre as duas potências nucleares, que se têm vindo a deteriorar desde Agosto de 2019, quando Nova Deli revogou o estatuto de autonomia especial da parte de Caxemira sob a sua administração. Islamabad respondeu reduzindo as relações diplomáticas e suspendendo o comércio bilateral.
Em Maio de 2025, os dois países envolveram-se num breve mas intenso confronto militar após um ataque contra turistas na Caxemira administrada pela Índia. A Índia suspendeu então o Tratado das Águas do Rio Indo e restringiu as travessias de fronteiras, ao que o Paquistão respondeu com medidas recíprocas.

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